quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O resto dos transportes

Se a rede de metro parecia complicada, entao e se lhes juntarmos as principais linhas de comboio?



Ir ás estacoes de Waterloo, Kings Cross, Charing Cross, Paddington, etc. durante a hora de ponta é uma paisagem impressionante. Centenas de pessoas a sairem de cada comboio e a atropelarem qualquer passageiro mais distraido que esteja a andar a menos de 120 passos por minuto, ou que demore mais de 3 segundos a olhar para o mapa para ver onde tem de ir a seguir. Como a maior parte das pessoas tem os percursos já memorizados fica absolutamente irritada se alguem anda mais devagar á sua frente.

E nas escadas rolantes há duas possibilidades: encostados ao lado direito estao as pessoas que ficam paradas; o lado esquerdo é reservado para as pessoas que querem andar nas escadas rolantes. Pobre daqueles que por engano (ou por nao saberem) estao do lado esquerdo e ficam parados. Sao automaticamente varridos por uma torrente de protestos (ou até de malas, conforme a disposicao e o tipo dos passageiros engarrafados).

Metro

A zona metropolitana de Londres tem mais de 7 milhoes da habitantes (quase tanto como Portugal continental), entao o sistema de transportes tem de ser vasto e eficiente.
A rede de metro serve o centro de Londres, mas depois há uma rede enorme de comboios suburbanos, de eléctricos e autocarros.
Quem esta habituado ás 4 linhas de metro em Lisboa e olha pela primeira vez para o mapa do metro de Londres acha que nunca irá perceber como ir de um sitio para outro. Sao 11 linhas, algumas delas com vários ramos que criam uma espécie de 'esparguete colorida' incompreensível.





Mas passado um tempo, e alguns enganos e atropeladelas as coisas aprendem-se. Há é que ter o cuidado de sair de casa com tempo. Se ha algum problema no metro a situacao fica caótica.
E todos os fins-de-semana e melhor ir á internet para ver se as linhas de metro estao a funcionar, porque com tantas estacoes e tantas linhas há sempre (e é mesmo sempre) obras de manutencao em alguma estacao ou alguma linha durante o fim-de-semana, quando o metro tem menos utentes.






quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Telenovelas

As novelas britanicas sao um caso de sucesso incrível na televisao inglesa. Nao há tantas novelas como há em Portugal, os 4 principais canais tem 1, no máximo 2 novelas cada um. E nao está o dia todo a dar novelas na televisao - a hora preferida é entre as 5 e as 7, sendo que no fim-de-semana ha canais que mostram o resumo de todos os episódios da semana.
Mas a razao do seu sucesso é devido á longevidade. As principais novelas estao em exibicao há décadas. Aqui vai o exemplo das 3 mais famosas:

- Coronation Street estreou em 1960
- Emmerdale estreou em 1972
- Eastenders estreou em 1985.

Há personangens que desaparecem, outras que aparecem, mas a história é basicamente a mesma, com o mesmo ambiente passados 30 anos. Passado tanto tempo, eu acho que eles nem precisam de escrever o guiao. Basta fazerem os mesmos episódios dos anos 60 - quem se vai lembrar?


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Uma árvore de semáforos

Como o outro 'post' foi sobre semáforos, nao resisto a incluir uma 'árvore de semáforos', que existe em Londres, perto de Canary Wharf, uma zona moderna (parecida á Expo) com muitos escritórios.
Como saber qual e o semáforo que se deve seguir????? É ir em frente e pronto...


Os semáforos

Ainda o transito...

Outra coisa diferente em Inglaterra sao os semáforos.

A mudanca do vermelho para o verde é precedida de 1 ou 2 segundos em que a luz vermelha e a cor-de-laranja estao acesas ao mesmo tempo. Os condutores asism que veem estas luzes colocam-se e posicao e arrancam logo assim que a luz verde acende.
(se isto acontecesse em Portugal estou mesmo a ver pessoas a arrancar ainda antes da luz verde acender!!)


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Electricidade em cartao recarregável

Nao é em todas as casas, mas existe uma minoria de casas em Inglaterra onde a conta da electricidade nao é paga ao final do mes, nem de dois em dois meses - mas sim paga em adiantado. Estranho, nao?
Como é que funciona?
No quadro da luz em vez de existirem os numeros normais de quantos Kilowats de electricidade já foram usados naquele quadro, o que existe é o saldo disponível que se tem. Quando o saldo está a ficar baixo existe uma pequena chave electrónica que se tira do quadro e se leva a qualquer loja com Multibanco. Pede-se para carregar a chave com o montante que se quer e pronto. Depois é só introduzir a chave outra vez no quadro e o montante disponível irá aumentar. É uma espécie de pré-pago para a electricidade.

As companhias de electricidade acho que vem algumas vantagens porque tem o dinheiro logo a partida, em vez de esperarem 2 ou 3 meses para receberem. E tem a certeza que recebem - principalmente nesta altura quando ha muitas pessoas a ficarem desempregadas e que nao conseguem pagar as contas.

Para o consumidor há o inconvenienente de ter de estar a colocar dinheiro na chave, e o de ter de pagar logo em vez de ser ao fim do mes. Mas há a vantagem de poder controlar exactamente quanto é que gasta por mes, semana, dia, etc...

Dizem os 'experts' que este método, que cada vez está a ser mais usado pelas companhias eléctricas, torna as pessoas mais sensíveis ao consumo de energia porque veem diariamente o que gastam. Entao estes utilizadores tendem a tomar mais iniciativas de poupanca de energia tais como desligar a televisao totalmente em vez de ser só em 'stand-by', comprar lampadas mais eficientes, etc...



sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Tomada de electricidade

Claro que os ingleses gostam de ser diferente. Acho que já se percebeu pelo tipo de coisas que eles tem diferentes do resto da Europa.
Outra coisa diferente é o tipo de tomadas que usam. quem vem para o Reino Unido e melhor vir preparado. O carregador do telemóvel, o computador portátil, etc... nao vao funcionar aqui. É preciso um adaptador.

Os adaptadores de cá tem 3 pontas e tem incluido um fusivel, por questoes de seguranca. Se o aparelho eléctrico nao estiver a funcionar bem, o fusivel vai disparar e nao causa danos em mais lado nenhum.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Taxa de televisao

Outra diferenca é a taxa de televisao. Aqui paga-se uma taxa de televisao para cobrir os custos da televisao (e rádio) estatal - a BBC. ainda me lembro da taxa de televisao em Portugal, mas acho que nao era levada muito a sério e havia muita gente que nao pagava - ao contrário daqui.

A taxa nao e nada barata, cerca de 140 libras por ano (cerca de 15 euros por mes). E há um grande controlo sobre quem paga e quem nao paga.

Comecam-se a receber cartas para se pagar a taxa de televisao e há carrinhas a circularem que captam sinais de televisao e cruzam os dados com a base de dados. Se encontram alguem que nao tenha pago é uma multa de 1000 libras. Mais vale pagar.


Carrinha detectora de sinal de TV

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Unidades de medida

Outra coisa completamente diferente sao as unidades de medida. Sao todas diferentes, pois aqui o sistema metrico quase nao é usado.
Quem venha para o Reino Unido tem de aprender (ou nao) de novo todas as unidades de medida que conhece, quando lida diariamente com ingleses.
As unidades de comprimento sao milhas e jardas em vez de quilometros e metros.
Pés e polegadas, em vez de metros e centímetros.
Pedras (stones) e libras (pounds) em vez de kilos e gramas- quando se trata de pesar uma pessoa.
Pints e onces em vez de litros e centilitros.
Pés quadrados (!) em vez de metros quadrados.
enfim...

Dizer a uma pessoa que nós pesamos 70 kilos e para eles tao indiferente e tao incompreensivel como para nós dizerem-nos que a outra pessoa pesa 10 stones e 5 libras.
É melhor andar sempre com uma tabela de conversao...


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ainda as estradas

Outras coisas diferentes nas estadas sao as auto-estradas. Cá nao se pagam.
Em compensacao paga-se um valor mais alto de selo do carro, com um minimo de 140 libras por ano para os carros mais pequenos, mas que pode ser muito mais alto para carros maiores.
Esse dinheiro é utilizado para conservar e construir novas estradas. Entao andar nas autoestradas é grátis. O que e completamente diferente de Portugal, em que as autoestradas sao cada vez mais caras.
Mas aqui nota-se a eficiencia inglesa. Tem de se ter um distico 'road tax' (imposto de selo) visivel no carro. Se a policia nos apanha ha logo direito a uma multa. Mas eles nem sequer precisam de andar atrás das pessoas para ver quem tem o distico ou nao. Quem nao paga o 'road tax' recebe, passados umas semanas uma carta com uma multa - automaticamente, uma vez que está tudo informatizado e conseguem controlar quem paga e quem nao paga.


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Primeira diferenca - Conduzir do outro lado

Uma das coisas mais visíveis, e mais diferentes para um portugues que chega a Inglaterra, é que estes gajos conduzem do outro lado. Carros circulam pelo lado esquerdo, tem o volante no lado esquerdo, a alavanca das mudancas no lado esquerdo, etc... É completamente diferente. Quem entra pela primeira vez num carro ingles tem tendencia a entrar pela porta errada (se for passageiro, tenderá a ir para o lugar do condutor). Acontece... E assim que se comeca a andar parece que os carros vem na direccao contrária. Mas passado um tempo o pessoal habitua-se. E mesmo para ocmecar a conduzir e muito mais fácil do que se imagina. É ir seguindo os outros carros. O pior é quando nao há carros para seguir, e estamos em estradas estreitas no meio do campo. Acaba-se invariavelmente por andar em contra-mao várias vezes. Vi num documentário ha tempos que a razao de eles conduzirem do lado errado tinha a ver com razoes históricas quando ainda se usavam espadas. Os cavaleiros usavam a espada no lado esquerdo para ser mais fácil desembainhar com a mao direita. Entao preferiam cavalgar pelo lado esquerdo das estradas, para terem a mao direita (a mao que segura a espada) mais perto dos cavaleiros que se cruzavam com eles. Em caso de ataque era mais fácil defenderem-se.

Novo tópico - UK

Vou tentar nos proximos meses fazer uma sucessao de posts sobre o mesmo tópico.
"Em que é que o Reino Unido é diferente de Portugal?"

Ha coisas óbvias, como a língua, o conduzir ao contrário, as tomadas de electricidade em formato diferente, etc... Haverá outras menos óbvias e que só passado algum tempo se tornam visíveis.
Servirá isto para mostrar a portugueses como a vida noutros países pode ser tao diferente, mas também como uma reflexao minha sobre a cultura inglesa vs portuguesa. Irá comecar sobre as coisas mais práticas da vida, do dia-a-dia, e espero poder entrar em coisas mais profundas sobre a cultura ou modos de estar.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Natalidade

Um artigo na primeira página do Herald Tribune de uns dias atrás falava sobre uma pequena aldeia italiana, perto de Levorno. Essa aldeia tem estruturas e casas suficientes para 3000 pessoas, mas neste momento so lá vivem 1500.
Isso imediatamente chamou a minha atencao, pois as aldeia alentejanas tem perdido populacao drasticamente desde a decada de 70 (primeiro devido a alta migracao para a cintura industrial de Lisboa e depois ja na decada de 80 devido a baixa da taxa de natalidade).
O presidente da Junta que foi eleito em 2003 viu que isso era um grande problema pois se as coisas assim continuassem a escola primaria iria fechar dentro de poucos anos pois so estavam a nascer cerca de 5 criancas por ano. Entao o que ele fez foi dar um premio de 15000€ por cada filho que nascesse.
1500 por ano ate as criancas fazerem 10 anos. Deve ser uma coisa carissima para uma pequena Junta de Freguesia, e ha que reconhecer que pagamos Seguranca Social para haver ajuda a quem ela precisa (atraves do subsidio de natalidade, etc…). Mas em causa está a sobrvievencia a medio prazo de uma aldeia. É um complemento as politicas nacionais, tentando fomentar a natalidade com incentives financeiros numa regiao onde as condicoes economicas nao sao das melhores. Se isso fosse feito no Alentejo, era capaz de fazer uma grande diferenca para as familias (1500 euros sao quase dois meses de salário minimo em Portugal).
Sera esta uma solucao para a desertificacao alentejana? O que me dizem?
Pensando um pouco no exemplo da Terrugem, a minha terra. Neste momento ha cerca de 10 criancas por ano a entrarem para a escola primaria. Daqui a 5/10 anos, serao apenas 5. O que sera do futuro da Terrugem? (principlamente quando os palhacos da minha idade nao se casam e nao pensam em ter filhos, hein)

A europa ter uma equipa de Futebol

No outro dia li no Economist que o primeiro ministro da eslovénia tinha tido uma ideia brilhante. Formar uma equipa de Futebol europeia.
Isto veio a propósito da Irlanda ter votado NAO ao Tratado de Lisboa. Uma das causas do voto negativo teve a ver com as pessoas nao se reverem na Europa. Nao ha quase nada que as faca sentir Europeias. A moeda unica veio trazer um pouco de sentimento de pertenca a algo maior que o nosso pais. Mas para a maioria das pessoas nao ha quase mais nada de tangível, no seu dia a dia que as faca sentir europeias.
Formar algo que comece a criar um verdadeiro sentimento Europeu deveria ser uma das prioridades dos politicos que querem ver uma Europa unida.
Ter uma equipa de futebol?
A ideia e um bocado estapafurdia. Contra quem jogaria? Contra uma seleccao da America do Sul? (interessante) contra uma selecao da Africa? (sim, talvez). Mas tirando isso nao estou a ver mais nada – Asia, Oceania e Marica do Norte nao seriam adverserarios do mesmo nivel.
Mas acho uma ideia interessante.
Que mais coisas se poderiam fazer para reforcar um espirito europeu? Mais inicitivas desportivas? Culturais? Disciplinas europeias logo no ensino basico?
Nao sei…